Ransomware: maioria dos brasileiros paga resgate, mas menos de um terço tem dados devolvidos

Para mudar este cenário, é preciso aumentar a conscientização dos consumidores sobre esta ameaça

Por: Redação, ⌚ 07/04/2021 às 16h52 - Atualizado em 07/04/2021 às 16h52

Mais da metade dos brasileiros (56%) vítimas de ransomware em 2020 pagou resgate para restaurar o acesso a seus dados. Porém, somente cerca de três em cada dez pessoas obtiveram a devolução dos dados roubados. As informações são de uma nova pesquisa global realizada pela Kaspersky com mais de 15 mil consumidores ao redor do mundo.

 

O ransomware é um golpe online usado por criminosos para extorquir dinheiro das vítimas. Utilizando criptografia (a mesma tecnologia que protege a privacidade das conversas nos apps de mensagem) e um programa malicioso, os criminosos bloqueiam os arquivos em um dispositivo da vítima, impedindo sua utilização. Para realizar o desbloqueio das informações, eles exigem o pagamento de uma quantia como “resgate”.

 

Uma curiosidade que o resultado global trouxe é que os usuários mais novos estão mais propensos a pagar um resgate pedido pelos criminosos. A porcentagem de vítimas que pagou um resgate para restaurar o acesso a seus dados no último ano foi menor a partir da faixa etária de 45 anos. Entre 45 e 54 anos, a taxa foi de 46%. Entre os maiores de 55 anos, o índice foi de apenas 11%. Já dois terços dos adultos entre 35 e 44 anos e pouco mais da metade (52%) dos usuários na faixa etária de 16 a 24 anos admitiram ter feito do pagamento.

 

Pagando ou não, apenas 16% das vítimas brasileiras conseguiram recuperar todos os arquivos criptografados ou bloqueados após um ataque. Mas 80% das vítimas sofreram perdas: 44% dos brasileiros não conseguiram recuperar uma quantidade significativa, 20% perderam uma quantidade pequena e outros 16% perderam todos os seus arquivos.

 

“Sempre recomendamos que a vítima de um ataque de ransomware não pague o resgate, pois o pagamento não garante a devolução dos dados. Na verdade, ao efetuá-lo, observamos o efeito contrário, pois o criminoso saberá que os arquivos são valiosos e isto motivará que eles ataquem a mesma vítima seguidamente. Nosso estudo reforça exatamente esta recomendação, uma vez que apenas 29% dos brasileiros conseguiram seus dados de volta”, afirma Fabiano Tricarico, diretor de consumo da Kaspersky para a América Latina.

 

Para que o ransomware deixe de ser lucrativo, é preciso aumentar a consciência do consumidor e este é o principal desafio. De acordo com o estudo da Kaspersky, apenas 30% dos entrevistados no Brasil afirmaram ter tido conhecimento de algum ataque de ransomware nos últimos 12 meses. E mais da metade (56%) nunca escutou sobre este tipo de golpe online.

 

Para ajudar os consumidores, os especialistas da Kaspersky dão dicas para que as pessoas saibam o que fazer caso se deparem com esta ameaça:

 

• Nunca pague o resgate, mesmo que o dispositivo tenha sido bloqueado. O pagamento apenas incentivará esta prática. Em vez disso, entre em contato com a autoridade legal local e informe o ataque;

 

• Tente descobrir o nome do programa (ransomware) que infectou a máquina. Essa informação pode ajudar os especialistas em cibersegurança a descobrir como desbloquear os arquivos;

 

• Evite clicar em links contidos em e-mails e não abra anexos de remetentes desconhecidos;

 

• Nunca insira pendrives ou outros dispositivos removíveis de armazenamento em seu computador se não souber de onde vieram;

 

• Faça backup de seus dispositivos para que seus dados estejam sempre seguros, mesmo que você sofra um ataque de ransomware.

 

“Precisamos mudar a mentalidade do consumidor. Quando ele é vítima de um golpe como este, 56% decidem pagar pelo resgate. Não seria mais vantajoso investir na proteção do dispositivo e na cópia de segurança dos dados? Impedir o ataque ou fazer que ele não seja lucrativo é a melhor maneira de fazer quem que os criminosos percam o interesse neste golpe”, comenta Tricarico.

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