Número de cibercrime na África Ocidental cresce 386%

Relatório revela que hackers arrecadam em média US$ 2,7 milhões em ataques às empresas e US$ 422 mil resultantes de ataques aos indivíduos

Por: Redação, ⌚ 22/03/2017 às 14h44 - Atualizado em 22/03/2017 às 14h44

A Trend Micro divulgou, em colaboração com a INTERPOL, uma investigação sobre as atividades cibercriminosas na África Ocidental, “Cybercrime in West Africa: Poised for an Underground Market”. O estudo faz parte de uma série de materiais sobre a economia cibercriminosa no cenário Underground mundial. Desde 2013, a África Ocidental teve um aumento de 386% no número de ataques contra empresas e indivíduos.

 

A pesquisa aponta dois perfis principais de hackers que atuam no underground da África Ocidental:

 

“Yahoo Boys”: nomeados dessa maneira por sua dependência de aplicativos do Yahoo para se comunicarem. Desde 2000, se tornaram o principal tipo de cibercriminoso nesta região e aplicam golpes menos tecnicamente avançados, todos sob a supervisão de um líder.

 

Cibercriminosos de nível superior: executam ataques sofisticados que demandam mais investimento, como fraudes fiscais e Falha de Segurança em E-mails Corporativos (BEC) – este em específico, conta com um retorno de US$ 140 mil dólares – compensando o tempo e o esforço aplicado pelo hacker.

 

“A forma usada pelos cibercriminosos para se comunicar perfazem um ecossistema diferente de qualquer outro visto até agora. A natureza única do problema também conta com seu próprio conjunto de obstáculos para levar esses criminosos à justiça”, afirmou Raimund Genes, CTO da Trend Micro.

 

 

Média de idade dos cibercriminosos – África Ocidental (Divulgação)

 

 

Caminho alternativo

 

Muitos encontram o cibercrime como um sustento para si e suas famílias. Um inquérito conduzido pela INTERPOL revelou que cerca 500 mil graduandos das mais de 668 universidades africanas estão desempregados. A pesquisa ainda mostrou que os cibercriminosos da África Ocidental arrecadam em média US$ 2,7 milhões em ataques às empresas e US$ 422 mil resultantes de ataques aos indivíduos.

 

Todos os mercados clandestinos refletem culturalmente a região em que operam e a África Ocidental não é exceção. Os hackers da região se comunicam abertamente, compartilhando as melhores práticas e encorajando os recém-chegados. Isso desenvolveu uma cultura que incentiva os bandidos a aplicarem golpes e na qual há o apoio de um ao outro.

 

“Este relatório trabalhado em conjunto mostra que os criminosos em toda a região estão se tornando mais tecnicamente esclarecidos, e, no futuro, este mercado underground emergente irá exigir uma legislação ainda mais rigorosa”, disse Noboru Nakatani, diretor executivo do Complexo Global de Inovação (IGCI) da INTERPOL.

 

Parceria Trend Micro e Interpol

 

O relatório destaca ainda mais a importância das parcerias público-privadas para identificar e prender os criminosos virtuais, bem como conscientizar as empresas e os governos com relação às ameaças cibernéticas. A Trend Micro e a INTERPOL têm uma parceria de longa data, com operações e investigações conjuntas que derrubaram redes de cibercriminosos num esforço coletivo para tornar o mundo digital mais seguro para todos. Uma dessas colaborações, em 2016, resultou na prisão de um cidadão nigeriano que havia extorquido 60 milhões de dólares de empresas em todo o mundo usando golpes de BEC.

 

“Este estudo feito em conjunto com a Trend Micro junto às outras atividades coordenadas pelo Complexo Global de Inovação da INTERPOL (IGCI), demonstram o compromisso contínuo da Organização com as parcerias de colaboração para mitigar os danos causados pelos cibercriminosos na economia e na sociedade mundiais”, concluiu Nakatani.

 



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