Cyberwar, IoT e wearables: cresce com a web a fragilidade do internauta

Segundo Dane Avanzi, advogado e presidente da Aerbras, ciberataques que envolvem dispositivos conectados estão cada vez mais comuns e possuem dimensões gigantescas, expondo toda a vulnerabilidade do conceito de Internet das Coisas e aparelhos vestíveis

Por: Redação, ⌚ 31/10/2016 às 13h25 - Atualizado em 01/11/2016 às 10h44

Algumas semanas atrás servidores da costa leste norte americana, responsáveis por suportar serviços de gigantes como Amazon, Youtube, Netflix, PS4 entre outros, sofreram um dos mais agressivos cyberattacks já registrados. A novidade dessa vez foi a forma como foi executado. Hackers utilizando milhares de dispositivos de IoT infectados por malwares (classe de vírus), acessaram simultaneamente o mesmo servidor, que após esgotamento de sua capacidade de atendimento aos acessos, saiu do ar. Na prática, é como se todos os carros de uma determinada região se dirigissem para uma rua ao mesmo tempo, provocando o colapso da via.

 

No início de 2006, ao ler “2015, como viveremos”, de autoria de Ethevaldo Siqueira, pensei: como essa realidade ainda está longe. Hoje, uma década depois, arrumando minha biblioteca me deparei com o mesmo livro e me pus a folheá-lo. Fiquei espantado em ver como os prognósticos se converteram de ficção científica em realidade. Nossos smartphones possuem maior capacidade de armazenamento e processamentos de dados que os melhores computadores da época da publicação do livro. As casas em que vivemos possuem um nível de informatização e automação capazes de ligar banheiras, luzes e uma infinidade de eletrodomésticos, por controle de voz. Poderosas redes de comunicações garantem que estudemos e trabalhemos em qualquer parte e a qualquer hora.

 

O que isso tem a ver com o cyberattack? Explico. Os dispositivos zumbis que derrubaram os servidores sexta passada utilizaram inocentes dispositivos instalados em residências conectados a redes de internet, tais como DVRs, câmeras IPs, lâmpadas inteligentes, entre outros. Ao agirem em conjunto, eles formaram um ente único, denominado pelos experts “Botnet”. Quanto à motivação do cyberattack, há controvérsias na imprensa internacional: há quem diga que os hackers exigiram pagamento em bitcoins (moeda virtual) para cessar a ação e, há especulações que a ação seria uma retaliação promovida por países inimigos dos EUA.

 

Aqui no Brasil, muitos são os desafios da Internet das Coisas, desde os mais físicos, como matriz energética para alimentar inúmeros servidores de grande porte e espectro radioelétrico, como os mais complexos que implica integrar as várias camadas de sistemas de comunicação, interação e coordenação entre dispositivos. Atualmente, o assunto vem sendo debatido em âmbito global pela UIT – União Internacional de Telecomunicações, que debateu na Tunísia vários temas ligados à padronização de IoT. Outra coincidência no mínimo estranha.

 

Seja como for, mesmo com todas as fragilidades aqui expostas, cada vez mais as pessoas utilizam em seu cotidiano dispositivos conectados à internet, wearables (tecnologia que se veste, como relógios, pulseiras e carteiras virtuais acessadas através de telefones celulares), capazes de efetuar pagamentos sem cartão de crédito físico. Toda essa massa de informações criou um mercado à parte, denominado Big Data, que consiste na venda de informações sobre comportamento de consumo de grandes massas de pessoas em todas as partes do mundo. Resumindo: num futuro próximo, praticamente qualquer ação humana passará pela web.

 

Tais questões, privacidade e segurança, são apenas dois pequenos riachos que terminam por desaguar no rio principal da Internet das Coisas, onde existe um mar de perguntas hoje sem respostas. A principal delas é: qual o impacto desse cenário não tão distante para a humanidade? Devemos considerar que o natural avanço dos computadores os tornarão capazes de pensar e tomar decisões. A segunda pergunta é, com que base e a serviço de que objetivos tomarão decisões? Segundo mentes privilegiadas, como Stephen Hawking e Bill Gates, a Inteligência Artificial pode significar o fim da raça humana ou, no mínimo, um grande risco para a humanidade, tal qual conhecemos hoje. Tal debate não é atual e foi objeto de estudo de Nietzsche (em “Assim falou Zaratustra”) e de Arthur C. Clarke (em 2001: Uma Odisséia no Espaço). Assim como os homens da pré-história evoluíram para o que somos hoje, o que virá depois do além-homem? Eis o que está de fato em discussão quando falamos sobre Internet das Coisas e Inteligência Artificial.

 

* Dane Avanzi é advogado, empresário de telecomunicações e presidente da Aerbras – Associação das Empresas de Radiocomunicação do Brasil

 



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