LGPD impulsiona aplicação do conceito Privacy by Design nas empresas brasileiras

O modelo tem como benefício a possibilidade de antecipar problemas na exposição de dados, criando a melhor solução de segurança possível para cada situação

Por: Redação, ⌚ 08/10/2021 às 15h28 - Atualizado em 08/10/2021 às 17h58

Por Américo Alonso

 

Mesmo com o pouco tempo de vigência, a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), estabelecida em agosto de 2020, está mudando o mercado e a forma pela qual as tecnologias vêm sendo desenvolvidas. Prova disso é o conceito Privacy by Design – em que privacidade é incorporada a cada etapa de execução e implementação de um projeto – cada vez mais forte nos novos aplicativos e soluções digitais.

 

Garantir que a proteção de dados seja tratada desde o início da elaboração de um novo sistema faz parte da principal mudança trazida pela LGPD: a do mindset. De acordo com o estudo “Empresas e LGPD 2021: Cenários, desafios e caminhos”, realizado pela RD Station em parceria com a Manar Soluções em Pesquisa, Eduardo Dorfmann Aranovich e Cia Advogados, 56% das empresas pesquisadas veem a nova legislação como algo positivo para seus negócios e 68% já conhecem ou estão se informando sobre as sanções previstas nas regras.

 

No entanto, mesmo que a percepção das companhias sobre esse tema tenha se aprofundado, isso não significa que essas adaptações vão acontecer da noite para o dia. Segundo a pesquisa “IT Snapshot 2021”, da Logicalis, 47% das empresas ainda não têm planos formais de ações para adequação à LGPD. Mas essa caminhada mais lenta acaba sendo um processo natural, já que as mudanças são constituídas em diferentes etapas, incluindo a mudança na compreensão do tema, na cultura das organizações e na execução das soluções.

 

Por isso, acredito que, dentro de alguns anos, o conceito Privacy by Design será a base de toda tecnologia a ser lançada. O modelo tem como benefício a possibilidade de antecipar problemas na exposição de dados, criando a melhor solução de segurança possível para cada situação. Dá, ainda, mais controle ao usuário da ferramenta, que poderá alterar as configurações a qualquer momento e escolher quais informações ele permite conceder.

 

Isso representa uma grande mudança no mercado, que, agora, tende a se tornar mais transparente sobre os dados que são ou não fornecidos e sobre quem de fato teria acesso a essas informações. Os ganhos estão unicamente relacionados a um assunto tecnológico, da área de TI ou segurança. Eles são fundamentais para que todas as áreas estejam alinhadas e os altos executivos possam mostrar a importância da privacidade para a organização como um todo. Sendo assim, podemos esperar novos ares para a proteção de dados, com mais integração e autonomia dos consumidores.

 

*Américo Alonso é chief Quality, Security & Data Protection officer para América do Sul



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