Segurança está no DNA feminino, afirmam as líderes de SI

Comunicação, gestão de conflitos, diversidade de papeis e firmeza são alguns dos temperos que fazem a diferença entre as líderes para garantir a segurança da informação nas empresas.

Por: Redação, ⌚ 07/08/2019 às 18h23 - Atualizado em 12/08/2019 às 18h18

Flexibilidade, facilidade para lidar com diversas situações simultaneamente, comunicação assertiva e firmeza para a tomada de decisão. Essas foram algumas características realçadas pelas líderes de segurança da informação das empresas Boticário, Bradesco, Alpargatas, Hospital Sírio Libanês e Carrefour, durante painel de Mulheres na 4ª edição do Fortinet Cibersecurity Summit (FSC19), realizado no Espaço das Américas, em São Paulo, mediado pela Conteúdo Editorial.

 

Estatisticamente, elas ainda têm pouca representatividade no mercado de TI e segurança. Segundo os resultados do (ISC)² Cybersecurity Workforce Study de 2018, são 2,9 milhões de vagas não preenchidas. As mulheres ainda são minoria nesse universo e representam hoje apenas 24% da força de trabalho. Mas ao que tudo indica, o cenário está mudando. No entanto, as painelistas acreditam que pelo fato de ocuparem vários papéis na sociedade, dentre eles o de cuidar, estar à frente da área de Segurança da Informação faz bastante diferença e não se intimidam diante de superiores do sexo masculino que, ao invés da força, usam a firmeza para defender as suas ideias e seguem ir adiante.

 

Esse tempero faz toda a diferença. “Se o sistema não está disponível, vidas correm risco”, ilustra Lilian Pricola, CISO do Hospital Sírio Libanês, quando defende ser o sexo feminino mais zeloso. “Em 2006, quando fui contratada para o cargo de CISO, o perfil era mulher porque o diretor queria garantir mais leveza no setor ao mesmo tempo em que também era necessário mais firmeza par administrar conflitos sem a necessidade de confronto”, comenta Marcia Tosta, gerente de Segurança da Informação do Grupo Boticário.

 

Diante de um cenário complexo no universo da cibersegurança, onde é preciso prever e mitigar riscos e paralelamente atender as demandas internas com a transformação digital, Walquiria Marcheti, CIO do Bradesco, acredita que o universo feminino esteja mais adaptado para lidar com essa somatória de competências e aposta na diversidade de profissionais na área de segurança. “Nesse sentido, o diálogo é a peça chave para alinhar as necessidades das áreas de negócios e tratá-las com segurança”.

 

“Antigamente, os departamentos de SI eram vistos como ambientes fechados e, depois da minha contratação, houve maior abertura, tornando a comunicação fluída e colaborativa”, reflete Cassia Carmonario, gerente Certificado da Informação (CISM) Carrefour. Juliana Pivari, especialista em segurança da Alpargatas, conclui que a mulher tem em seu DNA a comunicação, facilidade para se relacionar com diversos públicos e, portanto, trata de vários temas de forma leve sem deixar a firmeza, quando necessário.

 

Um olhar no espelho e outro no retrovisor

 

Sem perder a feminilidade, as mulheres enxergam os desafios da Segurança da Informação de forma holística. Ao mesmo tempo em que protegem, olham para frente e encaram a inovação como um processo evolutivo e natural, de forma que a segurança deve ser a mola propulsora para garantir a transformação e continuidade dos negócios. E isso não foge do papel delas dentro de casa, diante de tantas tarefas a cumprir com diferentes atores (filhos, marido, familiares, amigos).

 

“Já ouvi falar que segurança é o glóbulo branco da inovação, mas afirmo ser o contrário. Quando uma mulher vai falar sobre cybersegurança, de fato, causa um impacto num primeiro momento, mas depois somos bem-sucedidas, tanto que em minha equipe conto com duas excelentes profissionais”, comenta Márcia.

 

“O assunto segurança da informação já é um desafio porque se a empresa não a enxerga como um importante pilar, pode ter problemas a curtíssimo prazo. No Bradesco, iniciamos o programa de transformação de segurança apoiado no conceito de security by design, inserindo as equipes de segurança desde o começo nos projetos. Hoje, o pessoal de segurança é o que mais pensa no cliente”, diz Walkiria.

 

Como instituição beneficente, o Hospital Sírio Libanês conta com um comitê liderado por senhoras e, segundo Lilian, esse fator contribui para atenuar os desafios, embora não sejam diferentes para qualquer profissional da área de Segurança da Informação frente às adequações para a LGPD. Para ela, é fundamental apresentar resultados e adquirir respeito porque quando uma mulher está na liderança trata diretamente com um universo masculino. “Mas, o conhecimento e experiência superam as diferenças e os cativamos”.

 

Se o mercado tem pela frente um cenário dinâmico com exigências mais estreitas para mitigar os riscos, implementar um plano de ação para estar em conformidade com a LGPD ao mesmo tempo em que as empresas caminham para a transformação digital e o cybercrime aumenta, Cássia acredita que estar envolvida com várias atribuições é uma característica feminina que corrobora para lidar com esse cenário, orquestrando com serenidade as demandas e desafios diários. Nesse sentido, Juliana compactua da mesma opinião, uma vez que a Alpargatas mudou o seu posicionamento de indústria para uma comunicação direta com o seu consumidor.


Carreira, o sonho de ser chief

 

Outra questão debatida foi a diferença salarial. Para elas, não há discriminação. No entanto, o estigma de que tecnologia e segurança não são coisas para mulheres ainda é visto por educadores em cursos de graduação e até especializações. “Passei por isso num curso de MBA. Além de ser nova, minha turma de gestão da segurança da informação era formada essencialmente por homens e alguns educadores não acreditavam que nós, as duas únicas mulheres do curso, pudéssemos ocupar cargos de liderança”, comenta Juliana.

 

No Grupo Boticário, Márcia diz que faz escola de negócios e há muitos profissionais de outros departamentos que buscam migrar para a área de segurança e a reconhece como excelente gestora. “Esse preconceito é um pouco da cultura brasileira, mas acredito que esteja mudando”. Com mais de 30 anos de profissão, Cassia observa um crescimento no interesse das estudantes universitárias para ocupar cargos em segurança da informação.

 

LGPD e a rainha do jogo de xadrez

 

A carreira de DPO não é algo que encha os olhos das painelistas, uma vez que assumir esse papel representa deixar a posição ocupada e o poder de atuar em diversas frentes como líderes de segurança ou de TI, envolvidas no plano rumo à LGPD.

 

Para Walkíria, a questão de proteção de dados deve ser capitaneada por uma figura que represente o mercado, masnão é ela quem resolverá todos os problemas da empresa. “O caminho natural é alguém de dentro da organização e não um DPO externo”.

 

Lilian foi convidada a assumir o papel de DPO, mas recusou porque o perfil desse profissional deve ter um viés jurídico. “Diariamente são abertas vagas para DPO, mas as empresas estão numa anisedade para estarem em conformidade com a lei e esquecem que essa figura não é um mágico”, aponta Juliana.

 

 

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