Operação entre entidades mira redução de golpes e fraudes eletrônicas

Nesta terça-feira (02), a Polícia Federal realizou operação com o apoio da Febraban em 13 Estados e no Distrito Federal contra laranjas que cedem contas para golpistas. Na visão da CEO do escritório Peck Advogados, Patrícia Peck, a iniciativa serve não só para elucidar os crimes como também para conscientizar a sociedade de que os criminosos atuam em vários segmentos e possuem agentes em funções diversas. Para ela, a iniciativa será muito benéfica ao sistema financeiro

Por: Bruno Silva, ⌚ 03/08/2022 às 17h45 - Atualizado em 04/08/2022 às 17h47

A Polícia Federal deflagrou nesta terça-feira (2) a operação “Não Seja um Laranja!” com o apoio da Federação Brasileira de Bancos (Febraban) em 13 Estados e no Distrito Federal. Com mandados de busca, os policiais federais e civis apreenderam em todas as regiões do país bens de pessoas que cederam contas pessoais para receber recursos desviados de golpes e fraudes contra clientes bancários, utilizando métodos de engenharia social.

 

Na visão de Patrícia Peck, CEO do Peck Advogados, essa iniciativa é muito importante e demonstra que a cooperação das entidades colabora para a administração da justiça. Para ela, a população precisa estar ciente de que emprestar contas bancárias para receber créditos fraudulentos é crime, além de provocar um dano considerável ao mercado.

 

“Esse tipo de operação serve não só para elucidar os crimes como para conscientizar a sociedade de que os criminosos atuam em vários segmentos e possuem agentes em funções diversas, sendo necessário combater toda a organização criminosa. Sobretudo após a pandemia, que tivemos uma expansão de serviços digitais sem a devida implementação de medidas de segurança cibernética”, comenta Peck em entrevista à Security Report nesta quarta-feira (03).

 

É a primeira vez que é feita uma operação de caráter nacional para coibir esse tipo de crime e a ação terá continuidade, pois faz parte do Convênio Tentáculos, o Acordo de Cooperação Técnica entre a Polícia Federal e a FEBRABAN assinado em outubro de 2017. A parceria passou a ser uma referência interna e externa de Cooperação Público/Privada no combate às fraudes bancárias eletrônicas.

 

Patrícia explica que o convênio, na verdade, começou em 2015 e teve adesão dos principais bancos em 2017. Além disso, essa parceria entre a PF e a Febraban permitiu aperfeiçoar a troca de informações e tecnologias das instituições bancárias com a polícia, algo que se tornou fundamental para melhorar a inteligência no combate à criminalidade e garantir mais segurança nas transações financeiras dentro do sistema bancário.

 

“A operação realizou buscas e apreensões, que estão previstas na lei nº 14.155/2021, que prevê punições severas para fraudes e golpes cometidos através de meios eletrônicos. As penas podem chegar a até oito anos de prisão, mais multa, e podem ser agravadas se os crimes utilizarem servidores mantidos fora do Brasil, ou se a vítima for uma pessoa idosa ou vulnerável”, acrescenta CEO do Peck Advogados.

 

Para deixar o cenário ainda mais crítico, existem outros tipos de golpes virtuais, um dos mais comuns e utilizado pelos cibercriminosos é o Phishing. Segundo o Fórum Nacional de Segurança Pública, esses crimes aumentaram cerca de 500% em alguns estados brasileiros. Patricia Peck ressalta que os usuários não possuem cuidados básicos de Segurança, que vão desde não compartilhar dados a clicar em qualquer link ou acessar algum site sem verificar a segurança da rede e a autenticidade.

 

“É preciso criar o hábito de manter os dados pessoais seguros e ter cuidado com o compartilhamento de informações, de documentos, inclusive no descarte do lixo doméstico (cartões, correspondências). A pessoa deve sempre procurar a polícia se ocorrer algum caso suspeito, bem como procurar orientação profissional sobre como proceder”, alerta Peck.

 

Além do próprio método utilizando Phishing, os golpes via Pix também seguem fazendo vítimas em todo o Brasil. Peck lembra de outra prática muito comum e que os usuários devem ficar atentos. “Um que se tornou comum foi com o WhatsApp, popularmente conhecido como clonagem e que tem sempre a intenção de obter vantagem econômica das vítimas. Por mais que as mídias divulguem, as pessoas continuam sendo ludibriadas e caindo em golpes com engenharia social. Mas essa operação para desarticular esquemas de fraudes bancárias nacionais será muito benéfica ao sistema financeiro”, finaliza Patrícia Peck.  

 

*Com informações da Agência Brasil

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