Com movimento de R$ 24 bi, Pix segue na prioridade para prevenção a fraudes

Novo sistema de pagamento registrou mais de 28 milhões de transações em duas semanas de operações. Itaú Unibanco e Banco Original destacam melhores práticas contra fraudes e lavagem de dinheiro

Por: Amanda Vianna, ⌚ 02/12/2020 às 18h51 - Atualizado em 04/12/2020 às 18h30

Em operação desde o último dia 16 de novembro, o PIX vem impactando todo ecossistema de pagamento, incluindo os brasileiros no sistema financeiro e proporcionando agilidade nas transações. De acordo com o Banco Central, o volume movimentado pelo Pix alcançou R$ 24,144 bilhões em duas semanas. Além disso, foram registradas até o momento mais de 28 milhões de transações com a nova modalidade.

 

Não há dúvidas de que o novo sistema de pagamentos traz grandes benefícios para a sociedade, mas qual foi o impacto do Pix dentro dos ambientes das instituições financeiras sob o prisma de segurança, fraudes, ataques como engenharia social e phishing?

 

Victor Thomazetti Machado, Gerente Sênior de Risco de Fraude do Itaú Unibanco, falou sobre suas primeiras percepções e impactos dessas duas primeiras semanas de PIX em operação. Para ele, as equipes de TI e SI viveram momentos animados, com muitas noites intensas de trabalho.

 

“Estamos falando de um novo meio de pagamento e não é fácil colocar isso no ar em pouco tempo. Com menos de um ano de trabalho, foi emocionante”, destaca o executivo durante um webinar promovido pelo SAS nesta semana.

 

Sob o aspecto de risco, Machado informa que conseguiu prever os acontecimentos, principalmente os de engenharia social e phishing. “Nos preparamos para isso e conseguimos controlar bem os primeiros dias de operação. Tivemos muito aprendizado de risco e de atendimento. Uma coisa que foi nítida é que os fraudadores começaram a atacar em CNPJ, fraudador também faz ROI, eles priorizam ataques que trazem mais retornos financeiros”, acrescenta.

 

Uma das questões que chama a atenção é que o Pix está tão exposto a fraudes quanto por meio de pagamentos similares como TED, DOC e cartões de débito. O executivo explica que uma vez entendida essa atratividade já se inicia medidas para mitigar as mesmas, como por exemplo: a temporização de transações com suspeita de fraudes, operação monitorando os fluxos transacionais 24x7x365 além do uso de tecnologias avançadas de Machine Learning.

 

“Temos que responder 99% das transações em até 0,9s para concluir todo backend. Nosso time de tecnologia fez uma obra de arte para conseguir colocar em tão pouco tempo um ambiente com uma latência como essa. Estamos operando com números gigantescos”, explica Machado.

 

Lavagem de dinheiro

 

Com a disseminação do uso do Pix, a tendência vista pelos executivos do setor financeiro é uma redução no uso de dinheiro em espécie, o que pode diminuir, ou, pelo menos, ajudar a controlar a prática de lavagem de dinheiro. Sobre a Prevenção à Lavagem de Dinheiro, o gerente-executivo de PLD / AML do Banco Original, Altair Nascimento, garantiu que a Resolução nº1 do Banco Central traz um arcabouço pesado no que se refere ao assunto PLD.

 

“Temos um novo negócio sendo colocado à disposição da população e há todo um ambiente de controle por trás dele. O Banco Central já vem executando isso há anos com uma atuação presente, de modo que o sistema financeiro não seja utilizado para transações ilícitas. Afinal, queremos um sistema forte, robusto, transparente e seguro”, pontua o executivo.

 

Ele acrescenta ainda que além dos participantes diretos – grandes bancos e instituições tradicionais, o Pix amplia o número de instituições participantes. São mais de 700 empresas cadastradas e, nesse sentido, a resolução nº1 também prevê que haja um controle sobre esse novo entrante no mercado. “Isso traz um peso maior para a regulamentação de PLD”, completa.

 

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