Ciberataques: o maior risco no mundo corporativo atual

Segundo Thaís Lopes e Cynthia Catlett, da FTI Consulting, existe oportunidade para investimento em infraestrutura e talentos na área de TI e Segurança Cibernética, para continuar estimulando discussões e aumentar cooperação entre governos, empresas do setor privado e instituições acadêmicas

Por: Redação, ⌚ 26/05/2017 às 18h02 - Atualizado em 26/05/2017 às 18h02

Qual será o maior risco enfrentado por grandes empresas nos próximos anos? Num mundo em constante evolução, com forças disruptivas que determinam o resultado de eleições, a força do comércio internacional e a segurança de milhares de empresas globalizadas, qual fator merece a atenção de executivos, políticos e dos demais stakeholders?

 

Segundo estudo conduzido pelo The Economist Intelligence Unit e patrocinado pela empresa global de consultoria FTI Consulting, ataques cibernéticos representam hoje um grande fator de risco nas empresas e são responsáveis de forma mais significativa por crises corporativas. De acordo com altos executivos que participaram do estudo, o tema da segurança cibernética está no topo das questões que irão determinar a reputação e o valor financeiro de muitas empresas ao redor do mundo. Gerenciar uma crise por causa de ataques cibernéticos está se tornando um dos maiores desafios enfrentados por governos e pelo setor privado, ao lado de esforços crescentes que estão sendo desempenhados para proteger dados, ativos e marcas.

 

O desafio de prover segurança na era da informação não é apenas uma questão de gerenciar um crescente número de ataques. Como explicou um dos entrevistados pelo The Economist Intelligence Unit, Vijay Balasubramaniyan, Diretor Executivo e fundador da Pindrop, empresa de segurança cibernética, “2016 foi o ano dos ataques cibernéticos, devido não apenas ao aumento no número de ataques, mas ao tipo – recusa de serviço, ransomware, ataques patrocinados por Estados.”

 

E não são apenas altos executivos e CEOs que estão chamando a atenção para o tema. No último Fórum Econômico Mundial (World Economic Forum – 2017), uma das discussões mais importantes foi acerca da segurança cibernética, abrindo assim mais uma frente de diálogo internacional entre várias partes interessadas. Em artigo publicado por William H. Saito, Assessor Especial do Gabinete para o Governo do Japão, a segurança cibernética está se tornando um assunto cada vez mais relevante em encontros de altos oficiais. Segundo ele, “aqui está o contraste com relação à apenas alguns anos atrás quando TI e Segurança Cibernética dificilmente encontrariam um espaço na agenda oficial.”

 

Além dos fóruns internacionais, o tema também está sendo discutido em âmbito nacional. O Brasil ainda está dando seus primeiros passos com relação à proteção da segurança das comunicações governamentais e privadas, segundo o Presidente do Conselho de Comércio Exterior da Fiesp, Rubens Barbosa. Segundo o ex-ministro Celso Amorim, a situação atual é de vulnerabilidade e “tem se agravado pela velocidade das mudanças e pela intensificação dos ataques cibernéticos em nossas redes de informação”.  E a tendência é piorar.

 

A segurança cibernética não é apenas sinônimo de ameaça, mas também de oportunidade. Torna-se cada vez mais relevante por estar inserida em discussões sobre sistemas, políticas e táticas. Executivos de grandes empresas globais reportam que este é o maior risco no mundo corporativo hoje. Existe, assim, uma grande oportunidade para se investir em infraestrutura e talento na área de TI e Segurança Cibernética, para continuar estimulando discussões e aumentar a cooperação entre governos, empresas do setor privado e instituições acadêmicas que apoiem e desenvolvam a futura geração de experts no tema.

 

* Thaís Lopes e Cynthia Catlett, diretora associada e diretora gerente, respectivamente,na área de Prática de Investigações e Riscos Globais da FTI Consulting

 

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