Depois de um ano, o EternalBlue ainda é um vetor de infecção

WannaCry, a maior infecção de ransomware da história, afetou mais de 200 mil sistemas em 150 países; embora o patch já estivesse disponível na época, muitos administradores de sistemas perceberam tarde demais que sua rede estava exposta

Por: Redação, ⌚ 14/05/2018 às 16h49 - Atualizado em 14/05/2018 às 16h49

Na sexta-feira, 12 de maio de 2017, a comunidade global testemunhou o início da maior infecção de ransomware da história. Este ataque conseguiu afetar mais de 200 mil sistemas em 150 países. A montadora Renault teve que fechar sua maior fábrica na França e os hospitais do Reino Unido tiveram que rejeitar pacientes. Já no Brasil, o ataque causou a interrupção do atendimento do INSS, instituto responsável pelo pagamento da aposentadoria e demais benefícios aos trabalhadores brasileiros, além de afetar empresas e órgãos públicos de 14 estados brasileiros mais o Distrito Federal.

 

Nos dias após o ataque, as empresas afetadas estavam sendo percebidas por diferentes países ao redor do mundo. Por fim, o país mais afetado foi a Rússia, com 33,64% das empresas afetadas, seguido do Vietnã (12,45%) e da Índia (6,95%). A região da América Latina também foi uma das mais afetadas, com o Brasil ocupando a sexta posição (4,06%) e o México a décima primeira (1,59%).

 

A novidade deste ataque foi sua forma de propagação. Usando a exploração EternalBlue – vulnerabilidade no protocolo PMEs, divulgado semanas antes pelo grupo Shadowbrokers – que instalou o backdoor DoublePulsar, usado para injetar código maliciosos sem exigir qualquer interação com os usuários. Uma vez que os computadores foram infectados, o WannaCry criptografou as informações e extorquiu as vítimas, pedindo-lhes que pagassem um resgate para recuperar suas informações.

 

Aproximadamente 65% das empresas afetadas pelo ransomware durante o ano passado disseram que perderam acesso a uma quantidade significativa de dados ou até mesmo a todos os dados. Um em cada seis daqueles que pagaram o resgate nunca recuperou seus dados.

 

O WannaCry mostrou como era fácil explorar uma vulnerabilidade conhecida para o sistema operacional Microsoft Windows. Embora o patch já estivesse disponível, muitos administradores de sistemas perceberam que sua rede estava exposta quando já estava atrasada.

 

“Embora ainda haja dúvidas sobre as motivações por trás do ataque em 12 de maio de 2017, as lições aprendidas pela indústria têm sido de grande valor e levaram a uma melhoria progressiva das medidas de segurança aplicadas em ambientes corporativos. O WannaCry deixou claro que a segurança de computadores deve ser um processo proativo e constante, com o pilar fundamental da aplicação dos patches do sistema operacional e a configuração correta das soluções antimalware”, reforça Dmitry Bestuzhev, diretor da Equipe de Análise e Pesquisa da Kaspersky Lab para a América Latina.

 

Meses após a contenção do surto inicial, WannaCry ainda estava reivindicando vítimas, incluindo a Honda, que foi forçada a fechar uma de suas instalações de produção. Apesar da disseminação do ataque, um ano depois, a exploração do EternalBlue ainda é um vetor de infecção, não apenas para ransomware, mas também para outras infecções por malware. Isso se deve à falta de instalação dos patches correspondentes da Microsoft para fechar essas vulnerabilidades.

 

“A vulnerabilidade do EternalBlue ainda está sendo explorada por criminosos para distribuir malware e obter infecções maciçamente. Em alguns casos, é ransomware, mas em outros temos visto a proliferação de cryptominers, ou seja, um tipo de aplicativo cujo único objetivo é gerar moedas digitais como Bitcoin ou Monero. É interessante observar como, após um ano, ainda existem sistemas que não aplicaram as atualizações e ainda estão vulneráveis a esse tipo de ameaça”, acrescenta Santiago Pontiroli, analista de segurança da Equipe de Pesquisa e Análise Global da Kaspersky Lab.

 



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