5G põe segurança em xeque

Proteção e privacidade são grandes desafios para o avanço da tecnologia 5G no mundo. O tema foi debatido nos palcos e corredores do Mobile World Congress 2019, em Barcelona

Por: Graça Sermoud, ⌚ 01/03/2019 às 16h48 - Atualizado em 08/03/2019 às 11h49

Durante o Mobile World Congress, esta semana, em Barcelona, os tópicos relativos à proteção no novo ambiente foram discutidos em diversos fóruns. A GSMA, associação que representa os interesses das operadoras, externou sua preocupação na Declaração Digital, documento elaborado pelo órgão, onde tema segurança é visto como uma das principais barreiras para adoção de serviços de quinta geração.

 

Em sua palestra, o presidente da Huawei, Guo Ping, também foi claro ao afirmar que a questão da segurança não é só um compromisso dos fornecedores de tecnologia, mas também das operadoras de telecomunicações. Segundo ele, cabe ao ecossistema se preocupar em oferecer serviços seguros e testados. Dessa forma, o executivo compartilhou a responsabilidade com todo o setor.

 

“A tecnologia 5G em si não é vulnerável, ao contrário, ela é mais segura do que as de quarta geração, o desafio está na camada de aplicação, afirmou Guillermo Solomon, Diretor Executivo Latam da Huawei. A frequência 5G possibilitará às operadoras oferecer conectividade para suportar aplicações avançadas, o que pode ampliar a superfície dos ataques. Entretanto, Guillermo enfatiza que 5G depende de cloud computing e virtualização e que esses ambientes também contam com altos níveis de proteção.

 

Para Carlos Alberto Roseiro, diretor de Soluções da Huawei, o tema segurança está sendo muito relacionado às redes 5G porque quanto mais a sociedade estiver conectada mais a quantidade de privacidade e as questões de proteção estarão em alta. “Isso não tem a ver com 5G, mas com avanço da conectividade”, diz ele.

 

Roseiro defende que o 5G tem uma encriptação de dados mais poderosa e segura do que o 4G. O nível de encriptação, da forma como a comunicação dos dados e feita, é mais poderosa sim do que as gerações anteriores. “Isso porque já se imaginava lá atrás, no tempo da especificação, que essas questões iriam ocorrer, então isso foi endereçado e hoje podemos afirmar que as redes de quinta geração são mais seguras do que as anteriores. “

 

O que pensa a segurança?

 

Parece um contrassenso, mas são justamente as aplicações inovadoras e disruptivas, possibilitadas pela nova velocidade de conexão das redes de quinta geração, que se tornam mais vulneráveis. É o que pensa Victor Murad, especialista em segurança cibernética do Governo do Espírito Santo. Murad visitou a Mobile Congress, em Barcelona e acompanhou de perto as discussões em torno do nível de proteção das redes e dos dispositivos.

 

Para explicar o cenário, Victor Murad faz uma analogia. “Podemos imaginar as redes 5G como autoestradas liberadas pelas operadoras, onde se pode ganhar velocidade e capilaridade e atingir um alto índice de performance, mas alguém também precisa pensar na segurança dos carros, porque os riscos de acidentes graves serão maiores”.

 

Os carros aqui podem ser representados por uma infinidade de dispositivos a serem conectados, trafegando uma enorme quantidade de informação e propiciando modelos de negócios os mais diversos. Como usuário na área de Governo, Vitor Murad vê com preocupação esse cenário, em que as oportunidades serão muitas, mas os riscos ainda maiores.

 

Para Arley Brogiato, gerente geral da SonicWall Brasil, quando se trata de 5G estamos falando de uma tecnologia que permitirá aos ofensores uma escala maior de ataque no que diz respeito a volume de dados, podendo chegar a uma conexão com tráfegos superiores a 20GB/s. Associando este meio poderoso de acesso a ataques com ferramentas de IA, mais e mais dispositivos poderão cair perante este cenário.

 

Arley lembrou ainda que no mundo da mobilidade existe uma outra questão, não menos importante, o número de novas variantes de código maliciosos em ambientes móveis. Foram identificadas 300 novas amostras mensais. A plataforma Android acabou sendo a quarta arquitetura com as mais novas variantes de malware, depois do Win32, MSIL e PDF. “Os cartões de crédito foram alvo de vários aplicativos maliciosos na Play Store. Testemunhamos infecções graves em Smart Tvs que executam versões do Android TV e que tentavam minerar criptomoedas”, alertou ele.

 

Alexandre Bonatti, Diretor e Systems Engineering da Fortinet Brasil, chama a atenção para o papel dos service providers e a necessidade de transformação dessas empresas. “Hoje eles estão acostumados com os tradicionais pontos de presença que hospedam os equipamentos de dados, porém quando falamos no 5G tratamos de IoT e uma quantidade absurda de novos dispositivos conectados”. Para Bonatti isso vai exigir um alto desempenho e baixa latência, com uma flexibilidade que os atuais equipamentos não vão absorver.

 

Ele vai além, ao também frisar que os service providers terão que contar com equipamentos virtualizados na nuvem (privada, pública ou hibrida) para alcançar esta flexibilidade na capacidade de processamento. “Sendo assim, além dos desafios tradicionais de segurança da própria tecnologia do 5G, que já provaram ser vulneráveis, teremos uma preocupação grande com a segurança destes equipamentos de core no mundo virtual”, finaliza ele.

 

*Graça Sermoud viajou para Barcelona a convite da Huawei

 



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